06 . dezembro . 2013

O caso dos memes e de um (in)certo Facebook

por Marcelo "Nhock" de Oliveira

O caso dos memes e de um (in)certo Facebook

Era uma vez um blog maroto que tinha milhares de visitas em sua homepage diariamente. Seu dono o amava da mesma forma que um pai ama seu próprio filho – e sem se preocupar em dar presentes em datas comemorativas.

Este blog e seu dono eram felizes, viviam em tranquilidade. O dono alimentava o blog e o blog o alimentava, cada um à sua própria maneira.

O que os dois não sabiam é que, do outro lado do mundo, inimigos estavam nascendo. Dois inimigos aos dois amigos inseparáveis: Os memes e o Facebook.

Tanto o blog quanto o seu dono ficaram tranquilos, por um tempo, achando que a moda daqueles dois indivíduos – nem eram considerados inimigos até então – era só passageira… Mas estavam enganados.

Não demorou muito até que os memes começassem a ficar famosos em terras tupiniquins (aproveite e confira quantas vezes usei a palavra “tupiniquins” aqui no Haznos) e a tomarem o espaço que este blog já tinha conquistado. Milhares de outros blogs de memes surgiram e literalmente roubaram todos os visitantes que o blog e seu dono tinham conquistado em mais de sete anos de trabalho.

Ambos continuaram pensando positivo e achando que aquilo ainda era passageiro, logo as pessoas esqueceriam os memes e tudo voltaria ao normal. E foi aí que o Facebook desembarcou no Brasil, trazendo um truque na manga que meses depois seria revelado: A timeline.

A timeline do Facebook encantou usuários do mundo inteiro. Aquilo era evidentemente sensacional e não demorou até que usuários de todos os blogs, inclusive os blogs amigos deste blog, tivessem que migrar para o Facebook, abrindo suas páginas por lá tentando levar usuários de volta pra casa, quase que puxados pela orelha. E isso estava funcionando bem pra todo mundo, menos para aquele blog e seu dono, que se consideravam, erroneamente, sortudos de já terem conquistado um espaço e público sensacionais.

Eles continuaram, por um pouquíssimo tempo, tentando batalhar de igual pra igual com os memes e o Facebook. E é óbvio que perderam de lavada.

Blogs de memes estouraram, inclusive por conta do Facebook.
E o Facebook estourou, inclusive por conta dos memes.

Até que a revolução chegou e deixou a curiosidade das pessoas restrita a pequena linha do tempo proposta pelo Facebook. Milhares de blogs e sites e marcas e empresas e toda e qualquer coisa precisavam estar no Facebook para serem vistos. Só havia vida dentro da timeline. E todos tornaram-se, sem perceber, reféns do Facebook, que tinha o conteúdo produzido por milhões de pessoas que só queriam divulgar o seu próprio blog, site, marca, empresa ou qualquer outra coisa.

E o blog morreu. Penduraria as chuteiras, caso usasse um par delas.
Os inimigos do blog, em contrapartida, continuaram.

Os memes estavam felizes, trollando tudo e fuckyeazando qualquer coisa. Definitivamente os memes só queriam ser felizes e talvez nem tivessem visto o blog que atropelaram junto com o Facebook. Mas os memes estavam sendo vistos. Assim como os blogs, sites, marcas, empresas e qualquer outra coisa, os memes também estavam sendo vigiados de perto, enquanto o inimigo do falecido blog procurava um novo inimigo.

Não é preciso dizer que os memes foram patrolados e, indo direto ao ponto, retirados à força do Facebook, lugar onde eles tinham dominado com firmeza.

Os memes ainda não morreram, mas já não tem mais sua casa, seu lar.
E não há Luciano Huck que os ajude, coitados.
Não há “De volta pra minha terra” que dê conta.
Os memes existem mas, já sabem, que vão morrer.

O inimigo do blog já falecido conseguiu aniquilar outro inimigo deste blog. E tanto o blog e seu dono afirmam que, neste caso, o inimigo do inimigo deles não é seu amigo.
Na verdade, não é amigo de ninguém.

O Facebook é o gordinho dono da bola. Um gordinho rancoroso que se tornou popular.
O Facebook é a Kelly Key, que agora que cresceu você quer namorar ela.
E ela, meu grande amigo do peito, ela não o quer.

Então, ainda mais recentemente que os “recentementes” ditos recentemente, o Facebook que recebeu conteúdo de tantos blogs, sites, marcas, empresas e quaisquer outras coisas decidiu ir contra tudo e todos, menosprezando todo este conteúdo gerado “de graça” e que o fez tão popular.

Nos últimos dias o Facebook talvez tenha dado seu último suspiro antes de cair em depressão por não ser mais o centro das atenções. E este texto, por mais que conte a história deste blog, não é nem sobre os memes, é sobre um (in)certo Facebook e seu possível declínio.

Muitas marcas investiram muito dinheiro para conseguir muitos fãs em suas fanpages. E hoje, com esta recente mudança pelas bandas do Facebook, muitos estão se vendo sem seu principal meio de divulgação. Todos os usuários do Facebook só estavam no Facebook, sempre, e não nos blogs, sites, etc. porque tudo estava no Facebook. Desde quarta-feira, não mais. Só quem pagar (fanpages que pagarem) terá seu conteúdo mostrado nas linhas do tempo de quem curtiu uma porrada de páginas que julgava interessante para si mesmo.

Por incrível que pareça o Facebook virou inimigo do próprio Facebook.
E obviamente, o Facebook perdeu.
Ou perderá.

E toda a classe B, C, D e E, que comprou celular só pra passar a vida no Facebook mesmo sem estar sentado na frente do computador, não terá o que fazer com seus smartphones.

Preparem-se para o caos, a não ser que uma rede social sensacional chegue rapidamente e tome este novo mercado que, daqui pra frente, provavelmente e assim espero, será tratado como merece.

Prevejo que ainda leremos muito sobre isso na própria linha do tempo do Facebook.
Claro que só se o site que fez esta matéria pagar para o Facebook mostrar isso.

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01 . dezembro . 2013

Diário de Bordo #7

por Marcelo "Nhock" de Oliveira

Diário de Bordo #7

“Diário de bordo é um instrumento utilizado na navegação para registro dos acontecimentos mais importantes. A expressão pode também ser usada como diário de algo que se faz, uma espécie de Sumário.” – Wikipédia

Mais uma vez prometi postar com mais frequência aqui no Haznos e, mais uma vez, não cumpri com o prometido. Só que desta vez foi por uma boa causa. Pra mim, pelo menos. Mas se tudo der certo vocês, de certa forma, também sairão ganhando.

Então é só alegria.

Vivendo a vida no very easy

A vida tinha começado a se acomodar no duro e cheio de asfalto solo paulista. Foi então que pensei “poxa, vou atualizar o Haznos, agora é pra valer”. E vocês que acompanham o blog perceberam que isso não vem sendo feito, e minhas desculpas nunca foram melhores do que a que darei desta vez.

Eu – odeio começar frases com “eu”, mas tudo bem – já tinha desempacotado minhas malas aqui em São Paulo, comecei a trabalhar juntamente com o pessoal da Legião Nerd (recomendo a visita para olhar nossos produtos deliciosos e que não são para comer) e consegui um trabalho bacana, em casa, ajudando a produzir conteúdo para um site foda de uma empresa foda, o site oficial da RedBull. Sem falar que quem acompanha o Haznos pelo Facebook (pode curtir aqui) deve ter percebido a enxurrada de links do recentemente aclamado e odiado pela mídia JornalVDD, pois também faço parte deste projeto maluco, maroto e cremosíssimo, é uma delícia escrever notícias, ainda mais as notícias que escrevemos por lá.

E assim, do nada, meu tempo hábil foi se esgotando. Mas finalmente estou fazendo o que gosto. Mas a vida mostrou mais uma vez se mostrou surpreendente e um fato que nunca ocorrera antes, enfim, ocorreu. E um sorriso – com meus dentes tortos – emanou do meu rosto.

Diversos amigos e eu recebemos a proposta de escrever um piloto para a televisão aberta. Um programa que, se for ao ar, atingirá todos os lares do Brasil nos sábados à tarde. E o melhor: Eles querem e esperam um programa retardado, sem precedentes, à frente do seu próprio tempo e que seja, acima de tudo, polêmico e engraçado. E isso, meus amigos, era tudo que eu esperava fazer da minha fucking life. Sempre quis poder criar algo sem me preocupar – tanto – com orçamento. Tudo que eu penso em produzir envolve no mínimo uma produção que infelizmente não disponho em casa. Por isso acabo não fazendo nada. Agora, se tudo der certo, não precisarei mais me preocupar com isso.

Poderemos criar, criar e criar. Sem pensar em produção, filmagem, iluminação, áudio, edição e se o Youtube nos pagará bem no fim do mês – coisa que, pra mim, mesmo com mais de um milhão de visualizações no AnimalQueVoa nunca ocorreu.

Não estou atualizando o Haznos por conta destes motivos acima. É uma merda, eu sei. Mas, poxa, estou trabalhando em algo que quero muito que dê certo.

Peço que enviem energias positivas para que nossa equipe consiga esta aprovação.

Se o programa for aprovado prometemos não decepcionar… Por mais que eu sempre prometa e nunca consiga cumprir com as minhas promessas, espero que desta vez eu realmente consiga.

Abraços e até breve.

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20 . novembro . 2013

Diário de Bordo #6

por Marcelo "Nhock" de Oliveira

Diário de Bordo #6

“Diário de bordo é um instrumento utilizado na navegação para registro dos acontecimentos mais importantes. A expressão pode também ser usada como diário de algo que se faz, uma espécie de Sumário.” – Wikipédia

A vida está linda aqui em São Paulo.
Ainda não estamos ricos, ainda.
Mas estamos rodeados de vizinhos que estão.

Este texto é sobre eles.

A arte de viver para não viver

Estamos morando em um bairro relativamente chique de São Paulo.
Um bairro cheio de pessoas que, por sorte ou não, deram certo na vida.

Estamos morando em um bairro onde pessoas são pagas para levarem o cachorro de outras pessoas para passear. O que é curioso, mas não totalmente estranho.

Estamos morando em um bairro onde mulheres recebem para cuidar dos filhos de outras mulheres. O que também é curioso, mas não totalmente estranho.

Estamos morando em um bairro onde cozinheiras pobres preparam deliciosas refeições em cozinhas sensacionais feitas sobre medida para outras mulheres, que não cozinham. Curioso. Estranho.

Estamos morando em um bairro onde existem motoristas dirigindo carrões que não são deles, mas passam mais tempo em suas mãos do que com o próprio dono. Um estranho e curioso caso.

Pessoas querem crescer na vida para comprarem coisas para não terem tempo para usá-las e deixá-las sendo cuidadas por outras pessoas que são pagas por isso. Isso, sim, é estranho. Pelo menos pra mim.

Os dias passam e as pessoas pagam mais e mais por coisas que elas sabem que não valem a pena o custo. Mas elas querem pagar. Querem ter aquilo em mãos.

Pra que ter cachorro, filho, uma cozinha maravilhosa, um carrão, pra não desfrutar de nenhum momento verdadeiro ao lado disso tudo?

Qualquer barulho que façamos aqui em casa, depois da meia-noite, em qualquer dia da semana, é motivo para recebermos reclamações, ameaças (inclusive de morte, mesmo!) e polícia batendo em nossa porta (ok, nunca recebemos a visita de um policial) porque nossos vizinhos precisam dormir. Eles precisam dormir para comprar mais coisas para seus empregados usarem. Eles precisam dormir para ter mais tempo de trabalho, ganhando mais, para não viverem. Para pagarem outras pessoas para viverem por elas.

A única coisa que dinheiro não compra, nos dias de hoje, é tempo.
Espero que todos eles entendam isso antes de ficarem velhos.
E que tenham tempo pra fazerem todas essas pequenas coisas.

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