09 . abril . 2009

Desventuras da vida moderna

por Haznos

Pessoas de consciência esvaziada nascem por todos os dias e lugares. E quando suas cabeças mesquinhas topam com as nossas, despreparadas para essas imparidades, causam eventos perturbadores, que nos inquietam por algum tempo.

De uns tempos para cá, com a megademocratização da telefonia portátil, nossos ouvidos vêm sendo coagidos a todo tipo de infortúnio por bocas de vozes mal intencionadas. Tanto isso já ocorreu que, teoricamente, estamos programados para refutar esses capciosos crimes sonoros. Digo “teoricamente” porque alguns relatos ainda conseguem provar o contrário. Independente de nosso conhecimento do assunto, os pontos escolhidos pelos malfeitores são sempre capazes de nos tirar do sério. E, de tanto tentarem, eventualmente eles conseguem dar umas “sortes”.

Houve, por exemplo, o dia em que minha mãe foi a uma missa e, para o nosso azar, desligou o celular. Veio, então, a tão temida chamada. Um sujeito intitulado “caveira” (de quem eu espero que não cometa o sacrilégio de ler esta coluna) arrebatou minha avó com as mais escandalosas ameaças à filha. Minha reação, ao tomar dela o telefone, foi intempestiva mas confiante. Desliguei e pus-me a ligar para minha mãe – que não atendia por nada.

Nosso desespero só passou cerca de uma hora depois, quando ela chegou, serena, em casa. Coisa semelhante se vê nesse outro caso, relatado ainda hoje, por uma amiga. Ela, na rua, perdeu boas horas e belos fios de cabelo com uma empresa fática de telefonia. Em estado de nervosismo adiantado, eis que surge a estranha ligação, na casa dela, para a irmã – que logo lhe passa a informação em busca de socorro: alguém passou e viu o avô caído na casa dele.

Acontece que a intenção invariável do infeliz ligador era esvaziar a casa dessa minha amiga, que só contava, por sorte ou conhecimento prévio dele, com a presença da irmã. Sairia ela, desesperada, ao encontro do avô, e deixaria a residência desguarnecida.

A providência, mais uma vez, foi tomada; mas sempre ainda resta algum resquício ou prenúncio falso de medo – esse sentimento perverso.

2leep.com

4 comentários para “ Desventuras da vida moderna ”

Felizmente nunca aconteceu comigo, mas essas histórias são famosas…

Pois é. O medo parece acentuar-se depois desses acontecimentos, sejam vividos ou apenas escutados. Na verdade, diante do que se tornou banal, às vezes, ficamos indiferentes. Mas quando é a própria pele que entra em jogo, sentimos… e sentimos muito.

Essa podia ir pra’gazeta. Não?

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